Capítulo 081

‎”Hoje a lua voltou a sorrir, mas você já não está ao meu lado para celebrar.

Comprei lírios pra tentar curar a falta de ar que você deixou ao sair pra não voltar.
Tirei dois copos d’água e uma folha de louro da lentilha do dia 31 de dezembro pra não sobrar.
Quebrei sua caneca preferida do Flamengo para não me fazer lembrar.

De tudo aquilo que passamos juntos e você deixou pra trás, sem explicar.”

- texto feito em homenagem a mulher que, há 6 meses, me vende flores toda semana e o marido saiu de casa, no dia de ano novo, sem nem ao menos acenar.

1 Comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 080

Fato #3. Melodia.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 080

Fato #2. Mãos.

A mão que no começo acenou
e pouco tempo depois balangou,
uma semana depois segurou.

Do encontro dessas mãos
surgiu um convite e dois nãos.
E depois o sim: café e chá como direção.

As mãos foram capazes de sonhar,
e construir o caminho que começou no assinar.
Após tentativas, a oportunidade de agarrar.

E mesmo sem tê-lo premeditado,
certeza foi – e sempre será – te segurar
(assim como no primeiro verso).

Esse espaço de minutos, horas
e dias e meses que passaram…

As descobertas das energias
até então ocultas que ensinaram…

Tornou o primeiro gesto, então,
não só momento e emoção,
mas pura e irracionalmente razão.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 080

Fato #1. Café.

Havia adquirido o hábito a pouco tempo
Um curto de lá, um expresso de cá.

Com o passar dos meses, foi pegando gosto
Dolce Gusto vermelha, “expresso intenso” pra acordá.

Tanto gosto que virou hábito. Antibiótico pré-lapso.
Na xícara Sul de Minas, no pequeno copo água com gás.

E então o ritual, necessário, vital.
Um gole, um olhar, outro gole e a paz.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 079

Era um marinheiro a remar bravamente contra a maré para alcançar seu ponto final. Avistava ao longe, no seu destino, muita riqueza. Riqueza de brilhar, riqueza de sorrir.

Como em toda embarcação, não existe marinheiro só. Existiam também outros marinheiros, existiam também os clandestinos no porão, existiam também capitão e capitão, como em toda embarcação.

Enquanto queria, a todo momento, capitão sempre esbravejava feito cão. E o marinheiro – existiam também outros marinheiros – a remar bravamente contra a maré.

Enquanto convinha, a todo movimento, capitão sempre modificava a direção. E o marinheiro – não sabia se ainda existiam outros – a perceber cada vez mais longe a riqueza. Com ou sem fé.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 078

Hoje lembrei
das luzes que iluminavam os sonhos
de todos os tão distantes e futuros planos
que ficaram em um lugar que não mais sei.

Hoje lembrei que não.
Sendo que tudo já fora tanto escrito como relido,
repensado, sacramentado…
deu de entender até o coração.

Hoje lembrei que não lembrei de você
e tudo se fez razão
até o mais longínquo pensamento, então
me fez, de corpo e alma, esquecer, relembrar e aprender.

Deixe um comentário

Arquivado em 300+, cunho-pessoal

Casa

Sem muito pensar mas sempre pensando em,
e indo contra os pré-conceitos de muitos
Fez-se um teto onde o teto são as estrelas
Fez-se um chão onde pisamos descalços
Fez-se um lugar onde possamos ser
Fez-se um lar onde possamos ter.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

#dropis

Não se deixe enganar: escolha e vontade são sim antonimos.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem-categoria

Capítulo 076

Ao acordar,
olhei-me no espelho com os mesmos olhos de sempre.

Os olhos não mudam. O que se vê, sim.

Ao descer pelo elevador,
olhei-me no espelho com a esperança de ver algo além.

O que se viu não mudou. Continuou.

O que se viu são apenas conclusões
do que se espera apenas ver. E perceber.

1 Comentário

Arquivado em 300+

Capítulo 075

Olhei em frente e mirei, como uma ave sedenta por sua sobrevivência.
Deixei de lado a conveniência. Quase que sem prudência.
Apenas apontei e segui. E continuo.

Por um lado, isso. Por outro, aquilo.
E por todos pairam o real ideal: meu.

Não que seja intencional, creio.
E qualquer brisa lembra do que já deu…

E fui. E foi. Como idas e vindas.
Sou e serei, sempre, das minhas conquistas.

E se por algum acaso hoje sinto-me assim,
Nada disso foi traçado ou vivido só por mim.

Mas das escolhas e renúncias, fiz as minhas.

Deixe um comentário

Arquivado em 300+