A missão, o contraste e a lembrança.

Esse final de semana completei uma missão importante da minha vida na Europa: a segunda parte de duas tatuagens em homenagem aos meus pais e, consequentemente, as nossas famílias.

A primeira parte foi concluída em Istanbul, terra da família Cury. Lá, com um ‘desenho’ feito por um artista de rua turco, escrevi ‘Baba’ no braço esquerdo – o braço da razão, da escrita -, em letras pretas com grafia característica da cultura árabe. Já nesse sábado, em Sevilla, a segunda parte foi feita no braço direito – o braço da força – , com uma letra corrida, ‘a mão’, em vermelho e escrito ‘Madre’, a homenagear assim o Lara espanhol de Murcia que habita minhas raízes.

Mais do que os significados do desenho em si, essa missão teve como objectivo demonstrar, principalmente a mim mesmo, o quão agradecido sou por ter os pais que tenho. O quão nunca quero estar longe dos meus velhos, nem por um minuto, nem em qualquer lugar do mundo. Esses dois símbolos representam uma imensidão de sentimento que guardo dentro de mim para os meus pais, minha família e meus amigos.

Todo esse discurso, essa missão contrasta e completa uma situação vivida por um de meus melhores amigos.

Infelizmente nesse final de semana faleceu o Chiquinho, pai do meu irmão Samuel, lá em Praia Grande. E mais duro do que dizer meus sentimentos a um amigo, é ter de dizer isso a kilômetros de distância. É não poder dar o que fosse preciso para um minuto de conforto de quem perde alguém tão importante na sua vida.

Pois tive ainda mais certeza, assim que terminei minha missão, de que nossos pais são nossa base, são nosso porto seguro e aqueles a quem podemos nos doar. E ver um irmão ter sua base mexida e não poder estar lá para seguras os pilares dói mais do que eu posso imaginar e de que consigo aguentar sem derrubar uma lágrima.

Samuca, pode ter certeza que o meu gesto para meus pais, minha família e meus amigos incluem tu, a dona Kátia, o Chiquinho, seus irmãos e todos que sabemos que sempre poderemos contar: que não seja de perto, que não seja num abraço, mas pelo menos numa palavra de conforto ou de lembrança de que sempre estaremos ligados.

E o que fica de lição desse turbilhão de experiências é impossível de se traduzir numa frase, numa palavra ou numa fotografia.

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2 Comentários

Arquivado em cunho-pessoal

2 Respostas para “A missão, o contraste e a lembrança.

  1. Alê Canatella

    Kauê,

    No final suas palavras demonstram um sentimento de cumplicidade e gratidão extremamente fundamental Por quão generosos eles foram com tudo que puderam oferecer da vida deles para a sua. Você ainda será pai e poderá também aprender mais ainda deste fenômeno. Parabéns pelo post… muito bacana aos seus pais.
    Alê

  2. Dani

    Me emocionei agora. E senti coisas diferentes. Orgulho por você enxergar seus pais dessa forma, pois sei o quanto isso é real, agonia por lembrar de tal perda do Samuca e por fim felicidade quando você fala sobre ligações que temos memso que a distância. Graças a Deus temos uns aos outros mesmo que longe, nessas horas, sabemos o quanto nos temos ali e como é importante pra segurar nossa barra.

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