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Capítulo 078

Hoje lembrei
das luzes que iluminavam os sonhos
de todos os tão distantes e futuros planos
que ficaram em um lugar que não mais sei.

Hoje lembrei que não.
Sendo que tudo já fora tanto escrito como relido,
repensado, sacramentado…
deu de entender até o coração.

Hoje lembrei que não lembrei de você
e tudo se fez razão
até o mais longínquo pensamento, então
me fez, de corpo e alma, esquecer, relembrar e aprender.

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Agraciado. Agradecido.

Tenho a sorte grande de ter sido agraciado.
Agraciado com pais que me deram mais do que oportunidades, me deram um mundo para explorar e conhecer. Com amigos que me acompanham nos momentos, sejam importantes ou irrelevantes. Com pessoas que, sem menos esperar, cruzam qualquer que seja o caminho que eu decidir trilhar e dão-me ainda mais vontade de seguir em frente. Com uma sorte incontestável. E com inúmeras outras graças, graças a Deus.

Sou muito agradecido por ser tão agraciado com pessoas e sonhos tão… tão… tão.
Hoje é o último dia de mais um sonho realizado, de mais um objectivo alcançado, de mais um bocado do mundo conhecido e vivido. Foram nove meses de novas pessoas, novos horizontes e novas experiências que, com certeza, me tornaram um pouquinho mais homem e muito, mas muito mais realizado.

Volto com pesares e ansiedades. É uma mescla de diversos lamentos e expectativas.
Lamento por mais um sonho que se vai, e ansioso por mais alguns que chegam. Lamento por pessoas que ficam, ansioso por reencontrar as que me esperam. Lamento pois vou, ansioso porque volto.

Não vou nomear pessoas, lugares ou momentos. Todo esse sonho, toda essa vida vai ficar marcada para sempre em mim: nas lembranças, nos pensamentos, na pele e no coração. Obrigado a todos que participaram disso: na preparação para vir, na convivência européia, nas viagens avulsas e na dura e doce dor da volta.

E um obrigado especial a gaúcha mais chata do mundo que me acolheu, me cuidou, me sorriu e me fez ter uma nova irmã para a vida: Cissa, “Calma amor” – “Bagdá chorando e você na calçada” – “Astronauta?”.

E como uma outra grande amiga ‘tuga’ disse:
Sem adeus. Isso é um até já.

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tens de ser vontade

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São Paulo Futebol Clube

Eu tenho meu time eternizado em minha pele, é o meu maior amor:
NA VITÓRIA OU NA DERROTA, EU SOU E SEMPRE SEREI TRICOLOR!

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A primeira vez que enviei postais

No primeiro mês que cheguei cá em Portugal conheci uma loja muito charmosa chamada ‘A Vida Portuguesa’, com itens conhecidos do povo português mas que tornaram-se antigos ou já saíram de linha. A loja inspirou-me – pois ainda estava nos primeiros meses de mudança – e comprei três postais de Lisboa para enviar ao Brasil.

Aqueles seriam os primeiros postais que enviaria em minha vida.

Cinco meses depois, já acostumado e já enraizado, percebi que era a hora de remediar um pouco a distância. Sim, os cartões-postais tornaram-se os remédios do estar longe, do não poder tocar pois, afinal, nele tem-se algo material que fora escrito, tocado, acarinhado e sentido por mim.

Escreve-se mais do que pode, compra-se os selos internacionais, arruma-se um pequenino espaço no meio das letras e sentimentos para colá-lo, entrega-os no correio que fica ao lado de casa e espera, espera, espera…
Não por uma resposta igual, não por nada parecido, mas apenas por saber que sim, recebera e sim, lera aquilo que escrevi e sentiu-me, por mais simples que seja, mais perto.

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A missão, o contraste e a lembrança.

Esse final de semana completei uma missão importante da minha vida na Europa: a segunda parte de duas tatuagens em homenagem aos meus pais e, consequentemente, as nossas famílias.

A primeira parte foi concluída em Istanbul, terra da família Cury. Lá, com um ‘desenho’ feito por um artista de rua turco, escrevi ‘Baba’ no braço esquerdo – o braço da razão, da escrita -, em letras pretas com grafia característica da cultura árabe. Já nesse sábado, em Sevilla, a segunda parte foi feita no braço direito – o braço da força – , com uma letra corrida, ‘a mão’, em vermelho e escrito ‘Madre’, a homenagear assim o Lara espanhol de Murcia que habita minhas raízes.

Mais do que os significados do desenho em si, essa missão teve como objectivo demonstrar, principalmente a mim mesmo, o quão agradecido sou por ter os pais que tenho. O quão nunca quero estar longe dos meus velhos, nem por um minuto, nem em qualquer lugar do mundo. Esses dois símbolos representam uma imensidão de sentimento que guardo dentro de mim para os meus pais, minha família e meus amigos.

Todo esse discurso, essa missão contrasta e completa uma situação vivida por um de meus melhores amigos.

Infelizmente nesse final de semana faleceu o Chiquinho, pai do meu irmão Samuel, lá em Praia Grande. E mais duro do que dizer meus sentimentos a um amigo, é ter de dizer isso a kilômetros de distância. É não poder dar o que fosse preciso para um minuto de conforto de quem perde alguém tão importante na sua vida.

Pois tive ainda mais certeza, assim que terminei minha missão, de que nossos pais são nossa base, são nosso porto seguro e aqueles a quem podemos nos doar. E ver um irmão ter sua base mexida e não poder estar lá para seguras os pilares dói mais do que eu posso imaginar e de que consigo aguentar sem derrubar uma lágrima.

Samuca, pode ter certeza que o meu gesto para meus pais, minha família e meus amigos incluem tu, a dona Kátia, o Chiquinho, seus irmãos e todos que sabemos que sempre poderemos contar: que não seja de perto, que não seja num abraço, mas pelo menos numa palavra de conforto ou de lembrança de que sempre estaremos ligados.

E o que fica de lição desse turbilhão de experiências é impossível de se traduzir numa frase, numa palavra ou numa fotografia.

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Self Hair Cut #2

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